8 Sugestões para Evitar Distrações no Celular e se Manter Focado nos Estudos e Projetos

“Ainda que fosse de certa forma um alívio não ter que me preocupar com aquilo… Às vezes sentia como se fosse um olho a me observar… Percebia não conseguir descansar sem tê-lo no meu bolso.”
- Bilbo Bolseiro

Na trilogia do Senhor dos Anéis Bilbo Bolseiro se referia ao anel maligno de Sauron, o um anel, mas poderia perfeitamente estar se referindo a um aparelho celular contemporâneo.

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Nos anos em que fui coordenador de curso acompanhei uma quantidade infindável de pais clamando por ajuda, alguns que buscavam por simplesmente terceirizar a responsabilidade de educar seus filhos, e uma maioria de pais que estavam simplesmente desesperados por não saber mais o que fazer. Arrisco dizer que ao longo da minha carreira docente tenha sido o assunto mais recorrente em reuniões: o uso abusivo de celulares.

Eu sei. Mesmo seguindo toda a cartilha, pode ser frustrante se dedicar por horas a fio e não conseguir concluir ou desempenhar como imaginávamos. Mas a única coisa que podemos controlar é o tempo que dedicamos as nossas prioridades. É preciso estar no lugar certo, na hora certa. Não comparecer é uma garantia de fracasso. E não espere que as empresas de tecnologia irão restituir o seu tempo, por duas razões: A primeira delas é que, diferente de dinheiro, o tempo é um recurso irrestituível por natureza. A segunda é que as empresas lucram justamente quando usamos seus produtos. Há 20 anos atrás as empresas mais valiosas do mundo extraiam petróleo das profundezas da Terra. Hoje, as empresas mais valiosas extraem tempo da sua vida.

Pretendo em breve escrever um pouco mais sobre como se manter focado, com algo voltado também para os computadores, e sugerir algumas aplicações que podem nos auxiliar a combater esse mal. Mas vou optar por iniciar focando nos smartphones, possivelmente o dispositivo de maior apelo as distrações do mundo moderno. E se você quiser saber mais dicas sobre isso, além dos livros sugeridos no final da postagem, você pode conferir o Guia do Estrategista Enem.

Antes de dar as sugestões, algumas observações:

  • Não busque a perfeição de sistemas ou ferramentas. O melhor aplicativo, a melhor agenda, a melhor caneta, o melhor celular, tudo isso são apenas objetos, e se nos dedicarmos demais a essas análises, isso apenas irá nos distrair dos nossos verdadeiros objetivos.
  • Faça uso apenas do que for necessário, ou mais fácil (e barato) para adaptar a sua dinâmica. Escolha! Teste! Repita!
  • A minha percepção geral é que o segredo é mudar nosso comportamento default (padrão). Nós tendemos sempre a repetir um comportamento pelo caminho de menor gasto de energia. Então produzir um caminho o mais simples e sem esforço possível para um hábito saudável, é sempre a chave para torná-los bem-sucedidos.

Vamos as 8 sugestões!

  1. Desinstale alguns aplicativos

Precisamos começar pelo básico. Especialmente os aplicativos de redes sociais possuem recursos muito mais apelativos para os celulares do que para suas respectivas versões de computador. E claro, para usar redes sociais a partir de um computador, você precisa estar sentado à frente de um. Não é um aparelho tão onipresente quanto o celular, o que por si só, já limita nosso uso.

Com isso em mente eu desinstalei todo e qualquer aplicativo de rede social. Para ser honesto, já há algum tempo eu exclui as contas de alguns deles, como por exemplo Facebook e Instagram. Existem fartas evidências — produzidas pelo próprio Facebook — para categorizar Mark Zuckberg como um dos mais mal intencionados CEO’s das Big Techs, e um dia ainda pretendo conseguir deixar seu último tentáculo, o WhatsApp. Mas essa é outra história…

Decidi manter os aplicativos de streaming, YouTube, HBO Max e Netflix. Principalmente por conta de esporadicamente viajar com uma filha pequena. Ainda acho o YouTube um gatilho viciante, mas aprendi formas de contorná-lo, como mostrarei mais adiante.

O WhatsApp também se manteve, mas 90% dos meus contatos são silenciados, só participo de três ou quatro grupos essenciais (também silenciados), e é o único aplicativo de mensagem instantânea que utilizo.

Mantive também o Spotify, onde escuto músicas e podcasts, e de longe não o considero um problema.

O Kindle, além de mantido, é um grande companheiro dos momentos de espera em filas, e serve como um excelente substituto ao tempo gasto nas redes sociais. Assim como o Evernote, onde guardo várias notas de diário pessoal e sobre coisas que estou estudando ou escrevendo (como esse texto que você está lendo). Por fim o Google Notas, onde guardo minha lista de afazeres, a lista de compras, e anotações corriqueiras.

Todos os aplicativos de finanças e/ou documentação foram mantidos, assim como os de transporte, como Uber, ou de alimentação, como iFood. Também mantive várias ferramentas do Google, como o Google Documentos, Google Maps, Google Meet, Google Drive e Google Agenda. E ainda restaram algumas utilidades como aplicativos esportivos, como o Strava.

2. Desabilite as notificações

Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance constatou que receber uma notificação no celular e não reagir distraiu tanto os participantes quanto olhar a mensagem ou atender a ligação. Portanto, desabilite o máximo possível de notificações do seu celular. No meu caso em particular, apenas aplicativos bancários, de transporte, de comida, a agenda ou esportivos estão habilitados. Todas os outros estão desabilitados, incluindo 90% dos contatos de mensagens instantâneas (WhatsApp), as plataformas de streaming (Netflix & YouTube) e o aplicativo de e-mail (Gmail).

E sim, meu celular não toca faz anos. Mesmo o modo de vibração está desabilitado há quase 8 anos, quando comecei a lecionar. Acredite, é uma experiência aflitiva estar dando aula, numa reunião, ou atendendo um aluno(a) e sentir o telefone vibrar e não atender. Emergências acontecem? Sim! Mas ao menos até hoje, nunca aconteceu algo que eu não pudesse retornar alguns minutos ou horas depois. E quando recebo uma ligação, por exemplo, de que minha filha pode estar potencialmente doente, eu não tenho o menor problema em quebrar a regra e reabilitar o que for necessário. Tenha certeza, se algo realmente ruim acontecer, a notícia encontrará uma maneira de chegar rápida até você. Para todo o resto do tempo, eu controlo quando quero interagir com meu celular, e não o contrário.

As notificações são, na minha opinião, o maior gatilho para o uso compulsivo do celular. Da última vez que chequei os dados as pessoas desbloqueavam em média seus celulares 80 vezes por dia. Interagiam com toques 2.617 vezes por dia. O brasileiro estava gastando em tempo de tela no celular a média de 4h30. Não duvido que quando adicionarmos o tempo perdido em frente ao computador e aos aparelhos de TV, chegaremos próximo das 8h. Um expediente completo! Notificações? Não, obrigado. Elimine-as o tanto quanto for possível.

3. Limpe a sua tela inicial

Eu removi quase tudo com potencial de me fazer perder um tempo infinito da tela inicial do meu celular. As redes sociais já não estavam instaladas, o que facilitou essa limpa. Metade da tela é ocupada pela minha Agenda do Google. Outra parte, chamada Bem-estar Digital — falaremos sobre ele mais adiante — mostra o tempo total de tela, e o tempo individual dos aplicativos mais usados. Restaram o Google Notas, que uso para notas rápidas e listas de afazeres/compras. O Evernote que contém minhas notas mais aprofundadas. O Kindle, que me permite ler enquanto aguardo numa fila. Aplicativos de finanças e documentações. O Spotify, a barra de procura do Google, o aplicativo de Câmera, o de Ligações, e o WhatsApp, porque ninguém é perfeito (ainda).

4. Mantenha o seu celular fora do alcance da sua vista

Um dos autores de um estudo conduzido na Universidade do Texas, em Austin, propôs que “a mera presença de um smartphone pode ‘exaurir o cérebro’ porque a capacidade limitada de atenção acaba sendo alocada para inibir a atenção automática ao celular, ficando indisponível para a tarefa em questão”. Ou seja, se o seu celular estiver ao alcance da sua vista, irá usar parte da sua capacidade cognitiva para ignorá-lo. Então, se for realizar uma tarefa importante — como estudar ou desenvolver um projeto — das duas uma: Se estiver em casa, mantenha-o dentro de uma gaveta, ou em outro cômodo. Se estiver fora de casa, mantenha-o dentro da mochila, e não dentro do seu bolso. Lembre-se: estamos criando barreiras contra dispersão aqui, dificultando o ato de reagir contra os gatilhos compulsivos.

5. Deixe seu celular carregando em outro cômodo durante a noite

Mover o carregador do celular para outro cômodo da minha casa resolveu dois problemas. O primeiro era o tempo perdido em infinitos vídeos do YouTube. Além de me fazer dormir bem mais tarde do que havia planejado, o tempo de exposição à claridade da tela me fazia ter mais dificuldade para pegar no sono (mais sobre isso em Guia do Estrategista Enem).

O segundo problema resolvido foi que, deixar o aparelho no horário planejado carregando em outro quarto, disponibilizou tempo para fazer uma das coisas que mais amo: ler. Então todos os dias eu passei a conseguir ler por pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de dormir. E vamos fazer uma conta rápida: um livro leva, em média, 8 horas de leitura. Sendo conservadores em nossa estimativa, se você lê por meia hora, todos os dias, estará lendo um livro completo em cerca de 16 dias. Ou seja, dois livros completos por mês, ou 24 livros por ano. Quantas pessoas você conhece que leram 24 livros em um ano? Você gostaria de ler 24 livros em um ano? Basta deixar seu celular carregando longe da sua cama. As telas e o sono são como água e óleo, não se misturam.

E como diria Steve Jobs: “one last thing…”. Ao deixar o meu celular carregando em outro cômodo, ao acordar, eu também parei de sentir o impulso para checá-lo. E como acordo cedo, passei a usar as primeiras 2 horas e meia do dia para: na primeira hora do dia, logo após 30 minutos de café e escovar os dentes, engajar na tarefa que eu mais achava necessário concluir. Fosse escrever um livro, estudar programação, escrever um texto para o blog, o que seja. Se era prioritário, ocupava a primeira hora do meu dia. E magicamente, entre todas as horas do dia, esse é o horário menos provável de ser alterado por imprevistos, afinal, estão todos dormindo ainda e eu não saí pegando meu celular para descobrir se “alguém tem algo melhor para fazer com o meu tempo”. Ao final, dessa uma hora de concentração, o que eu fazia? Pegava o celular? Não. Eu ia para a academia, passar 45–50 minutos cumprindo a tradicional promessa de todo ano novo de ficar em forma (i finally did it!). Retornando para a casa, após um banho, só então eu checava o celular, e tirava 30 minutos para responder mensagens e e-mails, com a consciência de que já havia conseguido me dedicar por uma hora a algo relevante, e ter pago os exercícios físicos do dia, o que inclusive me fazia entrar mais desperto para as tarefas que iriam iniciar a manhã & me ajudavam a chegar mais cansado à noite para pegar no sono mais facilmente.

6. Acione o Bem-estar Digital

Apesar de todo o alarde, e confesso que faço parte desse grupo mais alarmista, não é a primeira vez que saltos tecnológicos são acompanhados de pânico. Isso aconteceu em 1474, quando culparam os livros (eu sei). E novamente em 1883, quando culparam o modelo educacional (eu sei, eu sei). E mesmo em 1936, quando culparam — pasme — as rádios (e o Rock and Roll nem havia surgido ainda). A sociedade já conviveu com hábitos nocivos, como cigarros e o excesso de carros. E, pelo menos até agora, nós sempre conseguimos dar um jeito. O problema é que pode levar anos até isso acontecer, e nós precisamos resolver nossos problemas no hoje. Portanto, ao invés de nós prostrarmos como vítimas de uma sociedade distópica controlada por grandes corporações tecnológicas (sim, eu sei, de novo), empurrando o problema para fatores que estão além do nosso controle, vamos assumir o protagonismo de resolver esse problema nós mesmos até que a sociedade como um todo tenha arrumado outras maneiras de superarmos esse percalço (muitas vezes com mais inovações). Por sinal, a própria indústria tecnológica já começou a se mobilizar nesse sentido, inventando novos aplicativos (para a surpresa de absolutamente ninguém ¯\_(ツ)_/¯). É aí que chegamos no ‘Bem-estar Digital’, do Android, mas que possui paralelo similar no sistema iOS da Apple. Essas funcionalidades são parte integrante dos sistemas operacionais mais recentes dos aparelhos, portanto não é necessário fazer nenhuma instalação.

O Bem-estar Digital nos permite monitorar o tempo de uso total do aparelho, incluindo acompanhar o tempo que passamos em cada uma das aplicações instaladas. Isso permite, inclusive, configurar tempos limite para cada aplicação. Lembra lá atrás quando eu disse que contornei meus problemas com o YouTube? A resposta foi limitar ao máximo de 30 minutos o tempo de uso no Bem-estar Digital. Quando restam 10 minutos, o aparelho me notifica que o tempo está se esgotando, e ao término do tempo, o aplicativo fica bloqueado (em preto e branco), e não pode ser acionado novamente até o dia seguinte. Se você configurou um tempo máximo para o uso do aparelho como um todo, o sistema também pode notificá-lo para quando estiver chegando próximo do limite, mas nesse caso não ocorre bloqueio. Ao final de uma semana, o sistema irá apresentar a você o resumo da semana, mostrando o seu tempo médio, como ele está em relação a sua meta, e como isso se compara em relação a semana anterior. E isso inclui o tempo total de uso semanal em cada aplicativo. Acredite, poucas coisas podem ser mais impactantes quanto ver o tempo que perdemos em cada uma dessas aplicações! E como eu deixo essa contagem na tela inicial do meu celular, estou sempre de olho no quanto ando usando dentro de cada dia.

Eu realmente recomendo que você pelo menos dê uma olhada no tempo total de uso diário do seu aparelho, e no tempo gasto nas aplicações mais usadas. Se esses números não forem suficientes para convencê-lo a abrir as configurações e começar a estabelecer limites de uso, eu não sei mais o que irá.

7. Configure o Modo Hora de Dormir

Ainda dentro do Bem-estar Digital, existe uma funcionalidade chamada ‘Modo Hora de Dormir’. Ela nos permite configurar um horário no qual costumamos despertar, e a partir disso, estabelece um horário no qual deveríamos parar de usar o aparelho, informando quantas horas de sono teremos disponíveis entre os dois horários. Quando chega a hora de ir para cama, o aparelho irá notificá-lo e… tudo passará a ficar em preto e branco no aparelho. E sim, quando tudo perde a cor, o apelo do celular fica bem reduzido, além de lembrar a você que é chegada a hora de seguir a dica número 5, e colocar o aparelho para carregar em outro cômodo da casa. Ao final do horário para despertar, as cores são reestabelecidas. E o sistema monitora quanto tempo, dentro dos horários da ‘Hora de Dormir’, você se manteve usando o celular, o que é um excelente modo de acompanharmos nosso compromisso com um sono saudável e com nossas prioridades. Lembre-se: um erro cometido duas vezes, é uma decisão.

8. Abuse do Modo Foco

Por fim chegamos ao Modo Foco. O que ele faz? Você seleciona quais aplicações estarão disponíveis para uso enquanto estiver no modo focado e… todas as demais ficam bloqueadas! Ao final o sistema contabiliza quanto tempo você conseguiu se manter no modo focado, e informa a você quantas você deixou de ser interrompido pelas notificações. Os relatórios ainda permitem acompanhar por quantas horas você conseguiu se manter em modo focado ao longo de cada dia, e durante o total da semana. Tudo isso integrado no próprio ecossistema do aparelho, sem ser preciso instalar nada (desde que você tenha uma versão razoavelmente recente do Android ou um equivalente do iOS).

Referências:

Quando sonho às vezes me lembro de como voar.

Quando sonho às vezes me lembro de como voar.