Como Montar um Time de Estudos?

Quem caminha só, costuma ir mais rápido. Mas quem caminha acompanhado, costuma ir mais longe. Pode ser que ao longo da jornada algum obstáculo exija uma habilidade ou competência que você não tem. E todos, sem exceção, passam por momentos assim. Daí a importância em se formar um time.

Por que times, e não grupos de estudo?

Times são formados não apenas pela necessidade, mas também pelo desejo dos envolvidos em comprometer-se em alcançar um resultado. Não é que simplesmente as pessoas foram agrupadas aleatoriamente, mas por compartilharem um plano bem definido para chegar ao objetivo comum. Times se ajudam, se cobram, e celebram juntos.

Grupos são formados aleatoriamente e podem chegar, pelo acaso, a resultados. E costumam ser sempre os mesmos resultados, uma vez que sem um planejamento é muito difícil replicar o mesmo resultado em diferentes contextos.

Nos times cada integrante desempenha um papel bem definido. O “zagueiro”, o “meia de marcação”, o “atacante”. Os times são construídos para chegar a resultados articulados por um agente ou conjunto de agentes. Existe um desenho de como chegar lá, ou seja, um propósito (resultado comum), um pacto (comprometimento com as regras) e um planejamento (um método).

Mas como formar um time?

O principal é somar as diferentes competências dos integrantes do time para que 2 +2 = 5. Se alguém é acima da média nos assuntos A e B, convém se juntar a outros que sejam bons em C e D. É profundamente enriquecedor ter um ambiente compartilhado por perfis complementares. Todos saem ganhando.

Normalmente eu também aconselho a formarem times que tenham uma cadência de estudos e um nível de comprometimento razoavelmente homogêneos. Isso faz com que os níveis de dificuldades sejam próximos para todos os integrantes, sem que ninguém fique arrastando os demais.

Como e com que frequência devem acontecer as reuniões?

As reuniões não precisam ser longas. Tente sempre manter o mesmo dia, horário e duração, para reduzir o trabalho de organizar o encontro. Se for o caso, revezem, entre os integrantes quem fica responsável pelo que. Em grupos com 3–5 pessoas (não recomendo acima disso), uma reunião rotineira deve levar cerca de 30 minutos. Reuniões assim podem focar exclusivamente em três aspectos: RESULTADOS, AÇÕES e SUPORTE.

A estrutura desse tipo de reunião se dá em três passos, um ao redor de cada aspecto:

  1. Quais RESULTADOS você alcançou desde a última reunião?
  2. Que AÇÕES você está tomando para alcançar os próximos resultados?
  3. Houve algum obstáculo que causou dificuldade essa semana? Você precisa de SUPORTE?

Compartilhar o planejamento das suas próximas AÇÕES, e seus RESULTADOS alcançados num encontro semanal de time aumenta em quase sete vezes suas chances de manter-se focado e atingir seus objetivos. Mas é preciso levar isso a sério! E você pode estabelecer regras como “só é tolerado perder um encontro por mês sem uma justificativa razoável”.

Quando temos um compromisso não compartilhado com ninguém, tendemos a prestar conta a nós mesmos baseado nas nossas INTENÇÕES, e não apenas nos RESULTADOS. Quando você torna seu compromisso público, com o time, passa a ter que prestar satisfação exclusivamente pelos RESULTADOS. E é também um momento importante onde podemos refletir sobre o que deu certo, e o que poderia ser melhorado para a próxima semana.

As reuniões podem ser usadas para compartilhar resoluções de questões do simulado que tenham gerado dúvidas. É uma excelente estratégia marcar um fim de semana para que cada integrante do time resolva — isoladamente — uma prova passada. Na reunião seguinte, cada aluno, dentro das suas melhores habilidades e competências passa a auxiliar os demais explicando o passo-a-passo da resolução — e aqui reforço novamente a importância de se ter um time com perfis complementares. A mesma estratégia pode ser aplicada para a resolução de uma lista de exercícios, por exemplo.

Independente do propósito do encontro:
- Iniciem e finalizem no horário combinado, mesmo que nem todos estejam presentes quando começar.
- Uma reunião só acontece quando está previamente estabelecido um propósito claro, seja fazer uma análise dos erros do último simulado, uma aula que um integrante irá ministrar para os demais sobre um tema combinado, tirar as dúvidas das questões da última lista de exercícios, etc.
- Pela duração da reunião, o foco é exclusivamente voltado ao propósito combinado. Deixe os demais assuntos para antes ou depois do término da reunião.

Em relação ao SUPORTE, é importante que todos os participantes sejam orientados à solução.

Isso significa focar o mínimo na reclamação, ou em culpar fatores externos, como outras pessoas ou as circunstâncias. Reclamar pode ser um alívio para a mente, mas isoladamente não é capaz de resolver as coisas, e ainda pode gerar um clima de insatisfação generalizado. Baseado na minha experiência, pessoas que reclamam demais passam a ter essa característica associada a sua personalidade: “Lá vem fulano que só sabe reclamar!”. Por outro lado as pessoas costumam ter em alta estima quem reclama pouco, e uma vez insatisfeito, sugere mudanças para solucionar o problema.

In every life we have some trouble
But when you worry you make it double
Don’t worry, be happy
- Booby McFerrin

Em resumo, é uma ilusão achar que nossa lista de problemas um dia irá acabar. Já vivi o suficiente para entender que ter problemas não é um problema. Sábio é se habituar a encarar os problemas como pontes entre o que somos e o que podemos ser. Não uma maldição, mas um presente. Não por ser confortável, mas porque é uma oportunidade para chegar a uma versão melhor de você. O clichê “sair da zona de conforto”. Na prática é encarar os problemas com a mentalidade orientada à solução e tirar proveito das dificuldades para crescer.

Para finalizar…

Celebrem os resultados! E aqui não estou falando necessariamente do resultado final — como as aprovações — mas aos vários pequenos objetivos alcançados ao longo do caminho. Se todos fizeram e corrigiram o último simulado? Comemorem. Alguém conseguiu melhorar seu desempenho num determinado assunto em 10%? Comemorem. E celebrem isso juntos! Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Os vínculos sociais que formamos ao atravessarmos momentos de grande provação costumam se tornar as relações afetivas mais duradouras.

Referências:

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Quando sonho às vezes me lembro de como voar.

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Rafael Moraes

Rafael Moraes

Quando sonho às vezes me lembro de como voar.

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